Ecologia Alimentar e Organização Trófica de Elasmobrânquios de Florianópolis, Santa Catarina

Mestranda:

Maiara Albuquerque Hayata

Resumo:

O declínio acentuado de predadores de topo de cadeia pode gerar desequilíbrios dentro dos ecossistemas, oportunizando o início de cascatas tróficas e promovendo mudanças na abundância de organismos de níveis tróficos mais baixos. Nas populações de elasmobrânquios, tal declínio, especialmente de tubarões de grande porte, vêm sendo evidenciado mundialmente, sendo ocasionado por perda de habitat, degradação de ambientes e especialmente pela sobrepesca. No entanto, suas consequências ecológicas dentro do ecossistema marinho e da organização trófica das comunidades ainda são pouco compreendidas. Uma vez que estudos abrangendo a ecologia alimentar de uma espécie pode fornecer informações essenciais para a expansão do conhecimento acerca do seu compartilhamento de recursos, seleção de presas, transferência de energia e sobre sua organização trófica, torna-se imprescindível ampliar o conhecimento acerca da alimentação de tubarões e raias e suas relações tróficas para melhor compreender seus papéis ecológicos. Assim, o objetivo do projeto consiste em avaliar e comparar o conteúdo estomacal de elasmobrânquios coletados no sul de Florianópolis, investigando sua organização trófica, se há sobreposição de nicho trófico e como a partilha dos recursos alimentares ocorre entre estes animais. Considerando a plasticidade comportamental de tubarões e raias, e mudanças ontogenéticas já conhecidas, hipotetiza-se que estes apresentarão partilhamento de recursos alimentares e consequente sobreposição de nicho trófico, prevendo também que tais recursos são utilizados diferentemente por cada espécie. De maneira a alcançar o objetivo geral do projeto, com o auxílio da diretoria da APPAECSC, de pescadores artesanais e com a autorização do ICMBio, serão acompanhadas despescas de embarcações na praia do Pântano do Sul, local onde a pesca artesanal vêm sendo realizada há mais de 5000 anos. As despescas serão acompanhadas mensalmente durante o período de um ano e os tubarões e raias presentes serão identificados, medidos pelo seu comprimento total, pesados, classificados pelo sexo e classe de tamanho (neonato, juvenil ou adulto). Feitos os registros iniciais, os estômados serão retirados, pesados e fixados em formol 10% para posterior processamento dos itens alimentares encontrados. Tais itens serão então separados, pesados e identificados até o menor nível taxonômico possível. A fim de verificar quais os recursos alimentares utilizados por cada espécie, serão calculadas a frequência volumétrica (%V) e de ocorrência (%FO) de cada item alimentar identificado, assim como o Índice de Importância Relativa (IRI) e o Índice Alimentar (IAi) destes. Posteriormente, de maneira a compreender a organização trófica da comunidade e como ocorre a partilha de recursos entre as espécies, serão calculadas a amplitude de nicho através do índice padronizado de Levins e a sobreposição alimentar utilizando o índice de sobreposição de nicho trófico de Pianka. Será calculado também o Índice de Repleção do Estômago, objetivando inferir quais os períodos preferenciais de alimentação de cada espécie. Por fim, visando possibilitar a comparação do IRI, IAi, frequência volumétrica e de ocorrência dos itens alimentares em uma escala temporal, verificando a existência de possíveis mudanças sazonais na dieta, os resultados encontrados em cada mês de coleta para cada espécie serão comparados entre si.